Tuesday, October 16, 2007

Desafiar ou respeitar o mar... O Salvamento aquatico

O Café Oceano é um espaço para conviver, relaxar e falar de um tema que nos interessa. Para o Café Oceano que decorreu ao inicio do mês de Outubro, convidei o Professor Jorge Rosa, responsável pelo curso profissional Técnico de Segurança e Salvamento em meio aquático (TSSMA) da Escola Secundária Pinheiro e Rosa (Faro). Aprendi muito durante a apresentação feita por Jorge Rosa. Assim, existem actualmente dois cursos destes no Algarve, um em Faro e outro em Quarteira. Estes cursos só foram reconhecidos pelo Ministério português da Educação em 1999 e reestruturados em 2006 no âmbito da revisão curricular do ensino profissional e da racionalização da oferta formativa pela Portaria n.º 1311/2006, D.R. n.º 226, Série I de 2006-11-23 . Este tipo de curso do ensino normal enquadra-se na família profissional de serviços de protecção e segurança e integra-se na área de educação e formação de protecção de pessoas e bens dando equivalência ao 12º ano. O curso tem quatro componentes de formação: a componente sócio-cultural, a científica, a técnica e por fim a formação em contexto de trabalho, para um total de 3100 horas de formação. Na descrição do curso pode-se ler que: “Os jovens habilitados com este curso têm a possibilidade de desempenhar funções como técnicos de segurança e salvamento em meio aquático em municípios (praias e piscinas), hotéis, parques aquáticos e empresas concessionárias em praias”.
No entanto, fiquei muito estupefacta ao saber que o Instituto de Socorros a Náufragos (ISN), organismo da Direcção-Geral de Autoridade Marítima, dotado de autonomia administrativa e com atribuições de promover a direcção técnica no que respeita à prestação de serviços com vista ao salvamento de vidas humanas na área da jurisdição marítima, não considera os alunos destes cursos profissionais como nadadores-salvadores. Assim, depois de uma formação profissional de 3 anos no ensino público (3100 h), os técnicos de Segurança e Salvamento em meio aquático não podem ser nadadores-salvadores; tal como eu, terão que concorrer ao curso de nadador salvador do ISN, que dura 93 horas e custa 75 euros.
È muito provável que os alunos que saiam dos cursos profissionais de TSSMA tenham mais facilidades do que eu para obter o título de nadador salvador. No entanto, ao meu ver isto é absurdo. Este é mais um exemplo dos problemas ligados ao mar: as instituições públicas do ensino, da administração ou da marinha não colaboram, não falam, não partilham os seus saberes. Qual teria sido o problema em incluir nos cursos profissionais de TSSMA uma componente obrigatória dada pelos formadores do ISN? Não teria mais lógica um técnico de Segurança e Salvamento em meio aquático ser igualmente habilitado a nadador salvador?
Quer-se racionalizar os meios mas sem fazer pontes de ligação entre instituições que trabalham na mesma área dificilmente conseguiremos ser competitivos e eficientes !

2 comments:

Joao Soares said...

Olá, Cátia
Sim, que triste situação...duplicação de diplomas e burocracias...e dinheirose investiento, quando era tudo mais simples....Espero por boas notícias, nas próximas postagens.
Abraços

marie said...

ola!

Estou no segundo ano do curso de TSSMA no Porto, e tens toda a razão neste comentário! Temos 3 anos de curso a nível de 1ºs socorros, mais treinos em mar do que qualquer Nadador-Salvador e uma teoria de fazer inveja!
E sim... precisamos de tirar o curso do ISN para podermos trabalhar na área, e actualmente o curso custa 127 euros (incluído a oxigenoterapia).

Bom post